domingo, 3 de junho de 2012

A maternidade me caiu tão bem!

Esse texto li num livro lindo que minha mãe me emprestou agora que sou mãe e achei que devia compartilhar com todos...
"Meu velho par de jeans nunca mais caberá em mim. Finalmente aceitei esta verdade imutável. Depois de ter tido dois filhos a quem amamentei, meu corpo sofreu uma metamorfose. Posso até ter voltado ao peso de antes, mas as mudanças sutis eu conheço bem.... a verdade é que expansões aconteceram - minha própria versão de um deslocamento continental. Quando adolescente, nunca entendi a diferença entre tamanhos de crianças e moças. As roupas de moças pareciam de gente velha. Agora é tudo tão claro aquelas cinturas e bumbuns minúsculos são armadilhas fugazes da juventude. Mas está tudo bem porque, enquanto os velhos jeans não fecham mais, a VIDA QUE TROQUEI POR ELES ME CABE MUITO MELHOR QUE TUDO.
Para mim, é uma época da vida de pé descalsos, shorts e camisetas (normalmente sujas!). Rapidamente me ambientei com a maternidade em idade ainda jovem. E com certeza o melhor papel que já representei. Nada de costuras apertadas ou zíperes atrapalhando. Apenas um sentimento de que saí do quarto de vestir com algo que me cai como uma luva!
Adoro sentir o bebê no meu colo: sua cabecinha que cabe direitinho debaixo do meu queixo, suas mãozinhas se espalhando como pequenas estrelas-do-mar cor-de-rosa nos meus braços. Adoro o jeito com que a minha filha de oito anos anda ao nosso lado enquanto atravessamos o estacionamento ensolarado do mercado. Nos lindos dias de primavera a brisa levanta seu delicado rabo-de-cavalo e rimos ao ver como o sol faz o bebê fungar e apertar os olhinhos. Quero sempre estar com eles, como uma costureira diante de duas medidas de seda perfeita, imaginando o que fazer com elas, embora hesitante em alterá-las, com medo de perder o peso de sua inteireza.
Nas poucas manhãs em que acordo antes deles, entro em seus quartos e os olho enquanto dormem, os rostos amarrotados e rosados. Finalmente  se contorcem e se espreguiçam, prontos esperando meu abraço com aquele sorriso mais lindo no rosto. Eu os pego em meus braços e enterro meu rosto neles e respiro bem fundo. São como toalhas que acabei de tirar da secadora, macios e quentinhos e com o melhor cheiro do mundo, melhor que de qualquer perfume.
Fico imaginando que eles vão crescer e que vai passar rápido como todos dizem... mas tenho que aproveitar que por ora, meus filhinhos se aninham comigo no sofá a noite, muitas vezes adormecendo, braços e pernas bambos e macios contra o meu corpo, como a dobra de uma camisola bem usada. Por ora ainda enfeitamos uns aos outros, e eles ficam felizes em serem vestidos pelo meu abraço. Sei que vão existir situações que serão como usar suéteres de lã malfeitos e salto de um centimetro. Temos de, juntos, experimentar novos modelos, puxando e amassando, mas tentando deixar o tecido básico intacto. Nesse ponto, teremos tecido uma complicada tapeçaria de padrão peculiar, com seus fios puxados, esgarçada e rasgada.
Mas vou sempre lembrar dessa época, das cabeças sonolentas em meu ombro, de pijamas com pezinhos e vestidos iguais para mãe e filha, de mãozinhas agarradas na minha mão. Esta época me cai muito bem. Tenho planos de usá-la da melhor maneira possível."
Retirado do livro: "Histórias para aquecer o coração das mulheres - Texto: Segunda Pele de Caroline Castle Hicks"

3 comentários:

Vivian disse...

Que lindo texto, Giu! É incrível como nossas vidas mudam completamente, mas só quem realmente consegue desfrutar desses momentos únicos, sabe o qto a maternidade pode ser maravilhosa. E é!
Bjo em vc e no Pietro!

Giustyle disse...

Vi muito obrigada!

Anônimo disse...

Só tenho uma coisa pra dizer pra vc e o dundão camarão:
Parabéns !!

Lema